Diagnóstico ruim não é falta de conversa. É falta de pergunta.
Sete blocos, 85 perguntas e uma exigência: cada resposta apoiada em evidência. É assim que a archēLAB lê uma empresa antes de propor qualquer construção.
Toda empresa já foi diagnosticada numa reunião. Alguém conta o que está doendo, os outros escutam, todo mundo concorda que o problema é o processo. A conversa termina e nada ficou mais claro do que estava.
O que faltou ali não foi conversa. Foi pergunta estruturada. Perguntas soltas geram respostas soltas, e resposta solta produz diagnóstico frágil — aquele que devolve para a empresa o sintoma que ela já conhecia.
A descoberta empresarial da archēLAB é o contrário disso. Sete blocos, sempre os mesmos, percorridos na mesma ordem. No nosso sistema eles existem como dado vivo e carregam 85 perguntas: 14 em identidade, 12 em cada uma das cinco estruturas seguintes e 11 em governança.
Cada resposta pede uma evidência. Contrato social, faturamento por cliente, lista de acessos, ata de reunião, a planilha que alguém mantém há três anos. Não é desconfiança do que a empresa conta. É que narrativa e documento discordam com frequência, e essa discordância costuma ser o achado mais útil da investigação inteira.
Abaixo estão os sete blocos e a pergunta que cada um responde. No fim da página, o prompt que conduz essa mesma investigação com qualquer IA.
01
Identidade empresarial · 14 perguntas
A empresa que o fundador descreve é a mesma que a operação executa?
Identidade nebulosa produz comunicação genérica e oferta confusa. Pior: quem investiga uma empresa assim acaba lendo a narrativa do fundador, não a empresa.
Identidade não é o texto do site. É a resposta que se mantém de pé quando repetida por três pessoas diferentes: o que a empresa faz, para quem, que valor entrega e por que alguém a escolhe em vez de outra. São 14 perguntas porque a versão curta sempre soa bem — e quase nunca resiste à segunda pergunta.
Como saber que ainda não está resolvidoLeia a descrição da empresa no site e compare com a última proposta comercial enviada. Se as duas descrevem negócios diferentes, comece por aqui.
imagem a gerarImagem para "Identidade empresarial · 14 perguntas". Retrato 4:5, fundo escuro, luz lateral quente, sem texto na arte.
02
Estrutura societária e jurídica · 12 perguntas
Quem decide, quem responde e o que está de fato escrito?
Sem clareza societária, decisão operacional carrega risco escondido. Contrato antigo, sócio sem função definida, acordo combinado na conversa e nunca assinado. Nada disso aparece no dia a dia. Aparece na crise.
Este bloco separa o que foi formalizado do que foi apenas combinado. Não é auditoria jurídica. São 12 perguntas para saber onde a empresa se apoia em documento e onde se apoia em confiança. As duas coisas funcionam — mas quebram de formas diferentes.
Como saber que ainda não está resolvidoPergunte quem pode assinar um contrato em nome da empresa e peça o documento que diz isso. Se a resposta vier na hora e o documento não vier nunca, o combinado está valendo mais que o contrato social.
imagem a gerarImagem para "Estrutura societária e jurídica · 12 perguntas". Retrato 4:5, fundo escuro, luz lateral quente, sem texto na arte.
03
Estrutura de receita · 12 perguntas
De onde vem o dinheiro e quanto dele você pode contar de novo no mês que vem?
Venda pode crescer enquanto a clareza diminui. A empresa fatura mais e segue sem saber a margem por serviço, o custo de conquistar cada cliente e quanto da receita depende de dois ou três nomes.
Receita não é um número, é uma estrutura: ticket, margem, canal, recorrência e concentração. As 12 perguntas existem para separar o que é fluxo do que é dependência. Faturar bem com um cliente valendo metade da receita é uma situação. Faturar o mesmo com trinta clientes é outra.
Como saber que ainda não está resolvidoAbra o faturamento dos últimos doze meses e some os três maiores clientes. Se ninguém na empresa souber esse número de cabeça, ele costuma ser maior do que se imagina.
imagem a gerarImagem para "Estrutura de receita · 12 perguntas". Retrato 4:5, fundo escuro, luz lateral quente, sem texto na arte.
04
Estrutura operacional · 12 perguntas
Como a promessa vira entrega, passo a passo?
Operação improvisada transforma crescimento em retrabalho. Mais clientes, mais atraso, mais ruído com quem comprou, mais pressão sobre as mesmas pessoas. O time trabalha mais e entrega pior, e ninguém consegue apontar onde trava.
Antes de automatizar um processo é preciso conseguir descrevê-lo. As 12 perguntas percorrem o caminho do pedido até o pós-entrega e procuram onde o trabalho espera, onde ele volta e onde ele depende de alguém lembrar. O gargalo raramente está onde dói. Costuma estar uma etapa antes.
Como saber que ainda não está resolvidoPegue o último pedido entregue e reconstitua a linha do tempo. Se ninguém souber dizer quantos dias ele ficou parado e em qual etapa, o processo não está mapeado — está sendo executado de memória.
imagem a gerarImagem para "Estrutura operacional · 12 perguntas". Retrato 4:5, fundo escuro, luz lateral quente, sem texto na arte.
05
Estrutura humana · 12 perguntas
O que acontece com a empresa quando uma pessoa específica sai de férias?
A equipe cresce e a dependência continua igual: poucos nomes decidem, vendem, entregam e lembram. Contratar mais gente não resolve isso sozinho. Às vezes agrava, porque passa a haver mais gente esperando a mesma resposta.
Este bloco mapeia papel, responsabilidade e ponto único de falha. São 12 perguntas para descobrir quais funções existem no organograma e quais existem na prática. Papel sem dono declarado sempre tem um dono real, e ele costuma estar sobrecarregado.
Como saber que ainda não está resolvidoListe as decisões que travaram na última semana e veja em quantas o mesmo nome aparece. Se for sempre o mesmo, o gargalo da empresa tem nome e sobrenome.
imagem a gerarImagem para "Estrutura humana · 12 perguntas". Retrato 4:5, fundo escuro, luz lateral quente, sem texto na arte.
06
Estrutura tecnológica · 12 perguntas
As ferramentas conversam entre si, ou só as pessoas conversam por elas?
A empresa acumula assinaturas e continua copiando dado de uma tela para outra. Cada ferramenta guarda um pedaço da verdade, nenhuma guarda a versão inteira, e o contexto se perde no caminho entre elas.
O inventário que importa não é o de ferramentas. É o do dado: onde ele nasce, quem mantém, para onde vai e o que acontece quando duas versões divergem. As 12 perguntas descrevem a operação real da informação, que quase nunca coincide com o diagrama que alguém desenhou.
Como saber que ainda não está resolvidoEscolha um cliente e conte em quantos sistemas o cadastro dele existe. Se estiver em três ou mais, uma dessas versões já está desatualizada e ninguém sabe qual.
imagem a gerarImagem para "Estrutura tecnológica · 12 perguntas". Retrato 4:5, fundo escuro, luz lateral quente, sem texto na arte.
07
Estrutura de governança · 11 perguntas
Onde ficam as decisões depois que a reunião acaba?
Sem governança, a empresa decide de novo o que já tinha decidido. O contexto morre junto com a reunião, o motivo se perde, e meses depois alguém reabre a mesma discussão sem saber que ela já foi encerrada.
Governança não é burocracia. É memória com endereço: quem decidiu, quando, com base em quê e como se acompanha o que foi combinado. São 11 perguntas — o bloco mais curto da descoberta e o que mais muda a rotina, porque decisão registrada é decisão que não precisa ser tomada duas vezes.
Como saber que ainda não está resolvidoEscolha uma decisão importante do último trimestre e tente achar onde ela está escrita. Se o caminho for perguntar para alguém, a memória da empresa é uma pessoa.
imagem a gerarImagem para "Estrutura de governança · 11 perguntas". Retrato 4:5, fundo escuro, luz lateral quente, sem texto na arte.
Conduza a sua própria descoberta
O método fica aberto porque pergunta boa não é segredo comercial — o valor está no que se faz com a resposta. Copie o texto abaixo e cole em qualquer IA. Ele não vai resolver a empresa. Vai devolver o que ainda não foi perguntado, e onde falta evidência para sustentar o que já foi dito.
Prompt · cole em qualquer IA
Você vai conduzir uma descoberta empresarial comigo. Não me dê diagnóstico pronto, não me dê recomendação e não cite ferramenta nenhuma.
Vou descrever minha empresa. Sua tarefa é percorrer sete blocos, nesta ordem, e em cada um levantar as perguntas que ainda faltam para entender a empresa de verdade.
Os sete blocos:
1. Identidade — o que a empresa é, para quem existe, que valor entrega, por que a escolhem
2. Estrutura societária e jurídica — quem decide, quem responde, o que está formalizado e o que é só combinado
3. Estrutura de receita — de onde vem o dinheiro, com que margem, recorrência e concentração
4. Estrutura operacional — como a promessa vira entrega, onde o trabalho espera e onde ele volta
5. Estrutura humana — papéis, responsabilidades e pontos únicos de falha
6. Estrutura tecnológica — onde o dado nasce, quem mantém, para onde vai, onde diverge
7. Estrutura de governança — como as decisões são tomadas, registradas e acompanhadas
Para cada bloco, devolva:
- de 5 a 12 perguntas específicas para a MINHA empresa, não perguntas genéricas
- o que no meu texto já responde em parte e o que continua em aberto
- qual documento ou dado eu precisaria mostrar para sustentar cada resposta (contrato, faturamento por cliente, ata, planilha, lista de acessos, contrato de trabalho)
Regras:
- Não invente informação que eu não dei. Se faltar dado, diga que falta em vez de supor.
- Aponte onde a minha narrativa e a evidência que eu citei não batem.
- Não proponha solução, sistema, software ou ferramenta em momento algum.
- Termine com as cinco perguntas que você faria primeiro se tivesse uma hora comigo.
MINHA EMPRESA:
[descreva aqui: o que vende, para quem, como cobra, quantas pessoas trabalham nela, quem decide o quê, quais sistemas usa e o que mais dói hoje]
Ele não devolve um diagnóstico pronto. Devolve as perguntas que faltam — que é onde todo diagnóstico honesto começa.
Por qual bloco a sua empresa começaria?
Se um deles ficou incomodando ao longo da leitura, é por ali. Traga o bloco e as evidências que você já tem em mãos, mesmo sem escopo definido — a primeira conversa serve para entender o contexto, não para fechar nada.